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Petição Reconhecimento da Fibromialgia como Doença Crónica e Incapacitante

Para: Ministra da Saúde

Exma. Sr.ª Ministra da Saúde, Dr.ª Ana Maria Teodoro Jorge.



Integramos um grande grupo de doentes com Fibromialgia e vimos por este meio trazer ao conhecimento de V. Exa. o verdadeiro sofrimento que esta doença nos tem vindo a causar ao longo dos anos.
Lutamos e continuamos a lutar para que todos tomem consciência de que a Fibromialgia é uma doença que impõe limitações, tanto na vida profissional como na vida privada.

Lutamos diariamente contra dores insustentáveis, que tantas vezes nos tiram a vontade de viver e nos obrigam a questionar: Porquê nós? Porque nos tiraram as coisas mais bonitas que a vida tinha para nos oferecer? Porque que já não conseguimos fazer parte delas?

Assim, passamos a descrever um pouco do nosso dia-a-dia:

Por vezes as dores são generalizadas, outras localizadas, como por exemplo, costas, ombros, pescoço, rosto, cabeça, ancas, pernas joelhos, mãos e peito. São dores que provocam mau estar e incapacidade geral, como se de uma gripe com elevada temperatura se tratasse. Tantas vezes pensamos que estamos a ser picadas, ferradas por uma tremenda fera, sentindo a nossa carne a ser retirada a sangue frio, suportando um peso tão grande como se um camião TIR se encontrasse em cima de nós. Tantas e tantas vezes pensamos que estamos a entrar na menopausa, tantos são os calores que sentimos, a dormência e o formigueiro que invadem os nossos corpos ao que se sucede um frio de arrepiar sem que nada nos consiga aquecer. Tantas e tantas vezes apetece gritar e chorar, por não conseguirmos sequer cumprir as nossas obrigações laborais, ainda que muito o queiramos fazer. O sono não reparador que temos diariamente é um sintoma que faz com que nos cansemos e que logo pela manhã, nos levantemos exaustas, esgotadas, afigurando-se-nos as mais básicas tarefas do dia-a-dia absolutamente penosas. Por vezes, até um simples sorriso é difícil esboçar. Quando tentamos fazer uma simples tarefa que para qualquer um de vós é normal, essa mesma tarefa a nós deixa-nos dois e mais dias de cama.



Alguém pode imaginar como nos sentimos, quando não conseguimos executar as tarefas que mais gostamos e que sempre e em toda a nossa vida as fizemos com prazer?

Hoje vivemos com limitações, que fazem com que tentemos adaptar a vida pessoal e social, já que a laboral ainda não temos condições para a fazer.

Ainda que tenhamos o apoio incondicional de familiares e amigos que diariamente nos tentam dar forças, outros existem que desvalorizam o nosso sofrimento e o estado deplorável a que chegamos, fazendo muitas vezes chacota como se de loucas nos tratássemos

Por tantas vezes nos virmos obrigadas a faltar ao emprego devido à nossa incapacidade, muitas de nós já fomos chamadas a Juntas Médicas para sermos avaliadas, Aí exibimos todos os relatórios médicos e a circular informativa Nº. 27/DGCG de 03/06/2003 da Direcção Geral de Saúde Divisão das Doenças Genéticas, Crónicas e Geriátricas, que esclarece as especificidades da doença - o Síndrome Fibromialgico -, mas nada disso adianta. Somos coagidas a regressar ao trabalho, ainda que sem condições físicas para o fazer.

Como somos obrigadas a estar presentes nos locais de trabalho e isso implica a diminuição da medicação para minimizar a sonolência que os remédios provocam, as dores ainda mais se acentuam, tornando a nossa jornada laboral num verdadeiro inferno e num pesadelo diário indescritível e insuportável.
Neste momento muitas de nós estão de Baixa Médica, sem renumeração, e outras no Fundo de Desemprego, porque tivemos de abandonar os nossos trabalhos por não o conseguirmos realizar.

Já não conseguimos fazer qualquer tipo de exercício físico e muitas de nós já perderam muita massa muscular, impedindo-nos assim de sair para caminhar. Assim ficamos confinadas à solidão da casa, pensando como vai ser o nosso futuro, sem emprego e sem dinheiro. Como iremos sustentar as nossas casas? Como iremos pagar os estudos dos nossos filhos? Como iremos pagar a nossa medicação? Nada sabemos. Sabemos apenas que nos sentimos revoltadas, desalentadas e cansadas de sofrer em silêncio sem que ninguém nos ajude. Os Toxicodependentes têm tudo: seringas, metadona, curas subsidiadas pelo o Estado – nada temos contra essas pessoas que quiseram de livre vontade estragar as suas vidas -; porém, nós, Senhora Ministra, nada fizemos para que esta doença se apoderasse de nós; ela apareceu e temos que viver dolorosamente com ela, sem qualquer apoio do Estado português.

Somos Cidadãs Portuguesas, cumprimos com todos os deveres para com o Estado. No entanto, o Estado não cumpre na totalidade com as suas obrigações para connosco.

Do exposto, vimos solicitar a V. Exa. que intervenha no sentido de ser alterada a Lei, de forma a podermos ter acesso à REFORMA POR INCAPACIDADE, a fim de podermos, ainda que envoltas no nosso sofrimento, viver o nosso dia a dia com um pouco mais de dignidade.

Agradecendo a atenção que nos dispensou e acreditando na sua boa vontade em algo fazer para nos ajudar, subscrevemos com elevada consideração.

Ana Filipa Delgado de Castro Cardoso
Guida Isabel Duarte Cardoso
Isabel Ferreirinha
Isabel Adriano



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